} Crítica Retrô

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Friday, August 29, 2025

Caminhando Sob a Chuva de Primavera (1970) / A Walk in the Spring Rain (1970)

 

Quando dois ícones do cinema se encontram, a Magia pode acontecer. Não estamos falando de “all-star movies”, mas do simples encontro de dois artistas celebrados. Como quando a ganhadora de três Oscars Ingrid Bergman (então com apenas dois prêmios) encontrou o ganhador de dois Oscars Anthony Quinn, ambos se aproximando do fim de suas carreiras - mas ainda tão bons como sempre foram. O filme em questão é “Caminhando Sob a Chuva de Primavera” (1970)

When two cinema icons meet, Magic can happen. We’re not talking about the “all-star movie”, but the simple encounter of two celebrated performers. Like when three-time Oscar winner Ingrid Bergman (then with only two awards under her belt) met the two-time Oscar winner Anthony Quinn, both nearing the end of their careers - but still as good as ever. The film was “A Walk in the Spring Rain” (1970).

O professor universitário Roger Meredith (Fritz Weaver) e sua esposa Libby (Ingrid Bergman) são aparentemente um casal feliz e têm uma filha que quer voltar a estudar para se tornar advogada, algo que seu pai desaprova. Aqui estamos: já com asco deste personagem. O casal decide tirar um ano sabático nas montanhas, por isso alugam uma cabana administrada por Will Cade (Anthony Quinn). O novo trio bebe e canta junto, Will consegue para o casal dois cabritinhos e tudo parece correr bem. Até que vem o choque.

College professor Roger Meredith (Fritz Weaver) and his wife Libby (Ingrid Bergman) are apparently happily married and have a daughter who wants to go back to school to become a lawyer, something her father disapproves of. Here we are: already disliking this character. The couple decides to spend a sabbatical in the mountains, so they rent a cabin managed by Will Cade (Anthony Quinn). The newly-formed trio drinks and sings songs together, Will gets them a couple of baby goats and everything seems to be alright. Until it isn’t.

Do jeito mais natural possível, numa conversa casual, Will diz a Libby que a ama. Ele não se importa se for um sentimento unilateral - tudo bem se o amor não for correspondido. O problema é que ela também sente algo mais por ele - mesmo eles podendo ser “amantes inadequados”. O problema maior é que o filho encrenqueiro dele vê os dois juntos.

In the most natural way, in a casual conversation, Will tells Libby that he loves her. He doesn’t care if it is a one-way infatuation - he’s fine even if she doesn’t love him back. The issue is that she also has feelings for him - even though they might be “unsuitable lovers”. The bigger issue is that his troublemaker son sees them together.

O arco narrativo de um filho não concordar com o relacionamento de seu pai ou mãe com outra pessoa é comum e pode ser encontrado em muitos livros, filmes e novelas. O personagem que aqui desaprova o romance alheio, o filho de Will, nos é apresentado rolando na neve durante uma briga causada por ciúmes. É outro personagem de quem não gostamos de cara.

The plot element of having someone’s child disapproving of the relationship between his/her father or mother with someone else is common and can be found in several books, movies and soap operas. The character here who is bitter with others’ romance, Will’s son, is first shown rolling in the snow in a fistfight over a woman. It’s another character who we dislike from the start.

Eu ri alto quando Libby contou para Will que seu marido está escrevendo um livro e o homem perguntou “para quê? Você já tem livros suficientes”. Estou fazendo um curso de escrita criativa e sei por experiência que nós escritores somos nossos primeiros leitores e mais severos críticos. Nós devemos escolher como contar uma história, que pode ter sido contada antes, e devemos julgar e validar nossas escolhas o tempo todo. Para fazer isso, devemos ser como Roger: leitores ávidos.

I laughed out loud when Libby tells Will that her husband is currently writing a book and the man asks “what for? You already have plenty”. I’ve been taking a course on writing and I know by experience that we writers are our own first readers and most severe critics. We must choose how to tell a story, sometimes a story already told before, and must judge and validate our choices all the time. To do this, we must be like Roger: avid readers.

Eu disse que nós instantaneamente detestamos Roger por causa de seus pensamentos retrógrados sobre a filha voltar a estudar depois de se casar e ter um filho. Mas Libby pensa igual, é o que é mostrado mais adiante no filme. Ela acredita que uma mulher deve contribuir para o casamento sendo uma boa esposa e mãe, não estudando e trabalhando. É o tipo de pensamento que poderia ser esperado de alguém nascido na década de 1910 - como é o caso tanto com Bergman quanto com Quinn -, conflitante com os valores e pensamentos da nova geração, representados pela filha (Katherine Crawford, nascida em 1944). Mas há outra razão para Libby não aprovar o plano da filha: se ela voltar a estudar, Libby vai ter que se dedicar o tempo todo aos cuidados com o neto, e ela quer ser livre, não uma cuidadora. O buraco é mais embaixo.

I’ve said that we instantly hate Roger for his retrograde thoughts about his daughter going back to school after getting married and having a child. But Libby thinks the same, we learn later in the film. She thinks a woman must contribute to a marriage by being a good wife and mother, not studying or working. It’s the kind of thinking that could be expected from someone born in the 1910s - the case with both Bergman and Quinn -, clashing with the values and thoughts of the new generation, represented by the daughter (Katherine Crawford, born in 1944). But there is another reason for Libby to disapprove of her daughter’s plan: if she starts studying again, Libby will have to take full-time care of her grandson, and she wants to be free, not a caretaker. The plot thickens.

Os músicos responsáveis pela música-título foram Elmer Bernstein - que não era parente de Leonard Bernstein, apenas amigo - e Don Black. A carreira de Bernstein durou cinco décadas e ele escreveu quase 200 trilhas para o cinema e a TV. Em 1970 já era ganhador do Oscar, pelo delicioso e pouco conhecido musical “Positivamente Millie” (1967).  Don Black, que em 1970 já havia escrito a música-tema de três filmes de 007 e do faroeste “Bravura Indômita” (1969), trabalhou no teatro musical junto a Andrew Lloyd Weber.

The musicians responsible for the title song were Elmer Bernstein - not related to Leonard Bernstein, though they were friends - and Don Black. Bernstein’s career spanned five decades and he wrote nearly 200 movie and TV soundtracks. By 1970 he was already an Oscar winner, for the delightful and underrated musical “Thoroughly Modern Millie” (1967). Don Black, who by 1970 had written theme songs for three 007 movies and the western “True Grit” (1969), worked closely on musical theatre with Andrew Lloyd Weber. 

Bergman e Quinn já haviam feito juntos “A Visita”, de 1964, e é só por causa de seus talentos que “Caminhando Sob a Chuva de Primavera” escapa de ser um melodrama esquecível. O romance é bom, o perigo, palpável, e o discurso quase-feminista, basicamente jogado para escanteio. Mas é um filme que merece ser visto, graças ao talento de Anthony Quinn e, em especial, da incrível Ingrid Bergman.  

Bergman and Quinn had already starred together in 1964’s “The Visit”, and it’s only because of their talents that “A Walk in the Spring Rain” escapes from being a forgettable melodrama. The romance is nice, the danger, tangible, and the quasi-feminist discourse, basically wasted. But it’s a film worth watching, thanks to Anthony Quinn and, especially, the amazing Ingrid Bergman.

This is my contribution to the 110 Years of Ingrid Bergman blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema.

Monday, August 25, 2025

O Rebelde Orgulhoso (1958) / The Proud Rebel (1958)

 

Quando falamos sobre Alan Ladd, eu penso em filme noir, obviamente, porque ele fez alguns filmes do gênero, como “Capitulou Sorrindo” (1942). Mas eu principalmente penso em faroestes, pois ele foi o protagonista de “Os Brutos Também Amam” (1953), entre outros. Cinco anos após este filme icônico, Ladd e seu filho foram novamente para o Velho Oeste em “O Rebelde Orgulhoso”.

When we talk about Alan Ladd, I think of film noir, of course, as he starred in some films of the genre, like “The Glass Key” (1942). But I mainly think about westerns, as he was the lead of “Shane” (1953), among others. Five years after this iconic movie, Ladd took his son as an acting partner and left to the Old West once again in “The Proud Rebel”.

A época não é especificada, mas a ação se passa não muito tempo após a Guerra de Secessão (1861-1865). Vindo do Sul, John Chandler (Alan Ladd) ruma para o norte até Aberdeen em busca de um médico que desse um diagnóstico preciso do que tem de errado com seu filho David (David Ladd). O garoto parou de falar dois anos antes, depois de um grande trauma. O doutor Enos Davis (Cecil Kellaway) indica outro médico em Minnesota que talvez possa ajudá-los. Mas antes eles viverão uma aventura.

Time is not specified, but it’s not long after the American Civil War (1861-1865). Coming from the South, John Chandler (Alan Ladd) goes north to Aberdeen to find a doctor that can give a precise diagnosis of what is wrong with his son David (David Ladd). The boy stopped talking two years before, after suffering a massive shock. Dr Enos Davis (Cecil Kellaway) refers them to another doctor in Minnesota who can, maybe, help them. But first they’ll live an adventure.

Por causa de suas origens, Chandler é importunado por uma dupla de arruaceiros, os Burleigh, que tentam roubar seu cachorro, Lance. Eles começam uma briga e Chandler é injustamente acusado de beber e perturbar a ordem. Ele é condenado por um juiz a 30 dias na cadeia ou uma fiança de 30 dólares. Linnett Moore (Olivia de Havilland), uma mulher cujo caminho se cruzou com o dos Chandler, oferece para pagar a dívida em troca de Chandler trabalhar na fazenda dela. 

Because of his origins, Chandler is bothered by a duo of troublemakers, the Burleighs, who try to steal his dog, Lance. They get into a fight and Chandler is wrongly accused of drinking and disturbing the order. He is convicted by a judge to 30 days in jail or 30 dollars for bail. Linnett Moore (Olivia de Havilland), a woman whose path crossed with the Chandlers’, offers to pay the bail in exchange for Chandler working in her farm.

Linnett costumava cuidar de uma fazenda de 80 hectares com seu pai e seu irmão, mas desde que os dois homens morreram ela está sozinha na iniciativa. Ela planta cevada e tem alguns cavalos e vacas. Os Burleigh, seus vizinhos, têm um imenso rebanho de ovelhas que invadem sua terra, para depois serem mandadas de volta por Chandler, David e Lance, promovido a cão pastor.

Linnett used to take care of an 80-acre farm with her father and brother, but since the two men died she’s alone in the endeavor. She mainly grows barley and has some horses and cows. The Burleighs, her neighbors, have a huge flock of sheep which invade her land, only to be sent back by Chandler, David and Lance, now promoted to sheepdog.

Há algumas tomadas inspiradas neste faroeste em Technicolor, seja com Chandler arando a terra contra um pôr-do-sol brilhante ou ele e Linnett conversando e apenas suas sombras sobre o rio aparecendo na tela. Há até mesmo uma cena filmada de baixo para cima, com o teto do bar no enquadramento, para capturar os movimentos do cachorro! Enquanto isso, cores sóbrias fazem parte do figurino da solteirona Linnett - as roupas de Olivia foram feitas pela ganhadora do Oscar Mary Wills. 

There are some inspired shots in this western in Technicolor, be it with Chandler plowing the land against a bright sunset or he and Linnett talking and only their shadows on the river appearing on the screen. There is even a scene shot from below, with the bar ceiling in frame, to capture the moves of the dog! Meanwhile, sober colors make up the wardrobe for spinster Linnett - Olivia’s outfits were made by Oscar winner Mary Wills.

A crescente animosidade entre o Norte e o Sul, mesmo depois que a guerra terminou, é um tema que pode ser encontrado em diversos faroestes. Começando com o faroeste de 1918 “The Scarlet Drop” de John Ford, centenas de exemplos poderiam ser citados, mas eu tenho certeza de que qualquer cinéfilo já se deparou com alguns deles enquanto via filmes a trabalho ou lazer. 

The ongoing animosity between North and South, even after the war was over, is a theme that can be found in several westerns. Starting with John Ford’s 1918 western “The Scarlet Drop” from 1918, hundreds of examples could be cited here, but I’m sure that any film fan has encountered quite a few of them while watching movies for work or for fun.

David Ladd está muito bem como o personagem que é seu xará. Usando uma forma rudimentar de língua de sinais, ele consegue se comunicar mas não escapa do bullying. David tinha 11 anos quando “O Rebelde Orgulhoso” foi feito e por sua performance ele recebeu um Globo de Ouro de “Melhor Novato”. Ele continuou atuando e produzindo, inclusive se tornando executivo produtor sênior na MGM nos anos 90.

David Ladd is extremely good as a character who is his namesake. Using a rudimentary form of sign language, he is able to communicate but can’t escape the bullies. David was 11 when “The Proud Rebel” was made and for his performance he received a Golden Globe award for “Best Newcomer”. He kept on acting and producer, until he became a senior production executive at MGM in the 1990s.

Lance, o cobiçado cão pastor, é interpretado por King, um cão pastor que ganhou prêmios. Além dos Burleigh tentando roubá-lo, Lance também é desejado por um homem chamado Bates, que oferece a pequena fortuna de 200 dólares pelo cão - que Chandler recusa, afinal, o cão é companheiro fiel de David. Ter um animal de estimação traz benefícios de saúde para todas as pessoas, especialmente crianças com deficiências, sejam elas temporárias ou permanentes

Lance, the much-coveted sheepdog, is played by King, an award-winning sheepdog. Besides the Burleighs trying to steal him, Lance is also desired by a man called Bates, who offers a small fortune of 200 dollars for the dog - which Chandler refuses, after all, it’s David’s faithful companion. Having a pet brings health benefits to all people, especially children with disabilities, both temporary and permanent.

O grande Michael Curtiz dirigiu “O Rebelde Orgulhoso”. Ele conseguiu fazer um faroeste e um filme para toda a família. Curtiz se envolveu com o projeto quando seu vizinho em Malibu, o produtor Samuel Goldwyn Jr, foi até ele durante as férias para discutir o filme. Alan Ladd havia trabalhado com Curtiz como assistente no filme de 1935 “Capitão Blood” e eles se reconectaram após uma série de filmes indiferentes na carreira do ator. “O Rebelde Orgulhoso” foi um sucesso e continua sendo diversão para todos os públicos.

The great Michael Curtiz directed “The Proud Rebel”. Here he managed to do a western AND a family movie. Curtiz became associated with the project when his next-door neighbor in Malibu, producer Samuel Goldwyn Jr, approached him while on vacation to discuss the movie. Alan Ladd had worked under Curtiz as a grip in the 1935 “Captain Blood” and they reconnected after a series of indifferent films in the actor’s career. “The Proud Rebel” was a hit and remains entertaining for all audiences.

This is my contribution to the 2025 Legends of Western Cinema Week.

Thursday, August 21, 2025

Kismet (1944)

 

“Ainda haverá muitas oportunidades para ver este filme”. Conforme eu me tornava uma grande fã de cinema clássico na adolescência, eu também tinha que equilibrar meus estudos e o tempo com minha família. Eu disse essa frase com frequência, para muitos filmes. Agora sou uma adulta, formada e trabalhando, e a frase voltou, com uma nova perspectiva: sou eu a única que pode criar as oportunidades para ver os filmes que eu recusei anteriormente. Eu me lembro de dizer que haveria outras oportunidades para assistir a “Kismet”, uma produção cheia de ostentação estrelada por Marlene Dietrich. E agora chegou a hora de finalmente assistir e escrever sobre este filme.

“There will be plenty of opportunities to watch this movie”. As I was becoming a huge classic film fan in my teen years, I was also balancing my studies and time with my family. I said this quote often, for many movies. Now I’m an adult, graduated and working, and this came back to me, with a new perspective: I’m the only one who can make the opportunities to watch the movies I’ve let go before. I remember saying this to “Kismet”, a lavish production starring Marlene Dietrich. And now time has come for me to finally watch and review the movie.

No “coração exótico da romântica e fantástica Bagdá”, nossa história é contada. Somos apresentados a Hafiz (Ronald Colman), que durante o dia é o Rei dos Pedintes e durante a noite circula disfarçado como o Príncipe de Hassir e tem encontros furtivos com a Rainha Jamilla (Marlene Dietrich). Ele também socializa com o Califa (James Craig), que durante a noite se disfarça de Filho do Jardineiro Real e corteja a filha de Hafiz, Marsinah (Joy Page).

In “the exotic heart of romantic, fantastic Baghdad”, our story unfolds. We’re introduced to Hafiz (Ronald Colman), who by day is the King of Beggars and by night goes around disguised as the Prince of Hassir and has furtive encounters with Queen Jamilla (Marlene Dietrich). He also socializes with the Caliph (James Craig), who is by night disguised as the Gardener’s Son and courts Hafiz’s daughter, Marsinah (Joy Page).

O Califa quer fazer algumas reformas, o que desagrada ao Grão-Vizir (Edward Arnold), que quer assassinar o Califa. Enquanto isso, Hafiz se disfarça mais uma vez para dar à sua filha exatamente o que ele prometeu quando ela era uma menina: um Príncipe com quem se casar.

The Caliph wants to make some reforms, something that displeases the Grand Vizier (Edward Arnold), who wants the Caliph murdered. Meanwhile, Hafiz disguises once again to give his daughter exactly what he promised her when she was growing up: a Prince as a husband.

Podemos aprender muito com o cinema. Com “Kismet” aprendi sobre o governo na antiga Bagdá. O Califa era o governante de toda a Arábia, um sucessor político e religioso direto de Maomé, enquanto o Vizir era um alto funcionário administrativo nos impérios muçulmanos. 

With film we can learn a lot. With “Kismet” I learned about the government in ancient Baghdad. The Caliph was the ruler of all of Arabia, as a direct political and religious successor of Mohammad, while the Vizier was a high administrative officer in Muslim empires. 

“Kismet” tem tudo que você poderia esperar de um épico da MGM: cenários grandiosos, multidões, figurino colorido, danças exóticas, sapatos de ponta fina, camelos e elefantes. Tem Marlene Dietrich dançando com as pernas pintadas de dourado. Não é de surpreender que o filme tenha sido indicado ao Oscar nas categorias Melhor Fotografia para Filme em Cores e Melhor Direção de Arte - Decoração de Interiores para Filme em Cores. 

“Kismet” has everything you can expect from a MGM epic: grand sets, crowds, colorful costumes, exotic dances, pointy shoes, camels and elephants. There is Marlene Dietrich dancing with her legs painted golden. It’s no surprise that the movie was nominated for Oscars in the categories Best Cinematography, Color and Best Art Direction - Interior Decoration, Color.

Ronald Colman fez seu primeiro filme em 1917 e ganharia o Oscar de Melhor Ator em 1947 pelo pouco celebrado “Fatalidade”. Seu amigo Jack Benny pegou a estatueta emprestada e ela foi roubada, fato que foi explorado no programa de rádio de Benny. Marlene Dietrich estreou no cinema na Alemanha em 1923 e seu segundo filme, “May by the Wayside”, foi coincidentemente dirigido por William Dieterle. Dietrich já tinha mais de quarenta anos quando “Kismet” foi feito, e durante as filmagens ela encontrou um recurso para parecer jovem: um body cor da pele que ia do pescoço à virilha. 

Ronald Colman made his first movie in 1917 and would win the Best Actor Oscar in 1947 for the underseen “A Double Life”. His friend Jack Benny borrowed the statue and it was robbed, something that was explored in Benny’s radio show. Marlene Dietrich debuted in cinema in Germany in 1923 and her second film ever, “Man by the Wayside”, was coincidentally directed by William Dieterle. Dietrich was already past forty when “Kismet” was made, and during filming she came up with a resource to look young: wearing a flesh-colored body stocking from neck to crotch.

Como o conselheiro do Califa, Agha, temos Harry Davenport. Nascido em 1866 e parte da famosa família de atores - sua irmã era Fanny e sua filha a atriz que virou diretora Dorothy Davenport - , Harry começou a atuar no teatro aos seis anos e fez mais de 160 filmes, incluindo “E o Vento Levou…” (1939). Ele foi chamado por Bette Davis de “o maior ator coadjuvante de todos os tempos”.

As the Caliph’s adviser Agha we have Harry Davenport. Born in 1866 and part of the famous acting family - his sister was Fanny and his daughter the actress-turned-director Dorothy Davenport -, Harry started at the theater aged six and made more than 160 films, including “Gone with the Wind” (1939). He was called by Bette Davis “the greatest character actor of all time”.

As origens do filme datam de 1911, quando o espetáculo Kismet de Edward Knoblock estreou na Broadway. A primeira adaptação para o cinema foi curiosamente um curta-metragem feito na Inglaterra em 1914. Ele foi levado para as telas de Hollywood como um filme mudo em 1920 e novamente em 1931, ambos estrelando Otis Skinner e a versão de 1930 com Loretta Young como Marsinah - esta versão está perdida, com apenas a trilha sonora tendo sobrevivido. 

The origins of the movie date back to 1911, when the show Kismet by Edward Knoblock opened on Broadway. The first adaptation to film was curiously a short made in England in 1914. It was translated to the Hollywood screen as a silent film in 1920 and again in 1931, both starring Otis Skinner and the 1930 version with Loretta Young as Marsinah - this version is lost, only the soundtrack survives.

“Kismet” foi dirigido por William Dieterle, e foi seu primeiro filme em Technicolor. Nascido em 1893 - mais novo que Ronald Colman - ele fez mais de 60 filmes como ator na sua Alemanha natal, entre eles a versão de 1926 de “Fausto”. Ele estreou como diretor em 1923, no já mencionado filme com Dietrich, e também dirigiu o “Kismet” mudo de 1931.

“Kismet” was directed by William Dieterle, and it was his first Technicolor movie. Born in 1893 - younger than Ronald Colman - he appeared in over 60 films in his native German, among them the 1926 version of “Faust”. He debuted as a director in 1923, in the aforementioned film with Dietrich, and also directed the lost 1931 “Kismet”.

Eu associava “Kismet” com a música “Stranger in Paradise”, que não está em lugar nenhum neste filme. Mas há uma explicação para minha associação: é a música mais famosa no remake musical de 1955. Mas este filme é assunto para outra vez, afinal, há muitas oportunidades.

I associated “Kismet” with the song “Stranger in Paradise”, which is nowhere in this movie. But there is an explanation for my association: it’s the most famous song in the musical remake from 1955. But this film is a subject for another time, after all, there are plenty of opportunities.

Wednesday, August 13, 2025

Introducing Lost and Found Films

 


I did it! After years of having this idea in my mind, I started a new blog to talk about film preservation and review lost movies.

Wait, WHAT?

Let’s go back in time.

In the far-away year of 2018 I dug deep in Brazilian film magazines, these tell-all publications that didn’t care about spoilers, to reconstruct the plots of some sadly lost movies. I did this for the publication Única, in which I reconstructed the plots of the movies Alfred Hitchcock worked in before becoming a director, back in England. And then I did the same for my blog: I reconstructed the plot for one Holy Grail of lost films: 1919’s “The Miracle Man”. The results: a great book on Hitchcock and a very long but informative blog post, so far the one that gave me the most pride to have written.

And then I thought: what if I could do it again, and more often?

So the seed for “Lost and Found Films” was planted. In the years between the idea and the real debut of the blog, I have researched more about lost films, watched a few films that were once considered lost, and prepared for the big day. As many of you may know, I started taking part in the online version of the Le Giornate del Cinema Muto, the Pordenone Silent Film Festival, and two great things happened: I was part of the Zoom Collegium in 2020 and the following year I won the Russell Merritt Prize for best essay writing about a forgotten film: “La Tempesta in un Cranio”, from 1921.

“Lost and Found Films” debuted this past May and is updated monthly. I already amassed a good amount of readers by advertising the blogs on social networks (do you already follow me on BlueSky?). I have a lot of great plans for this new endeavor without, of course, ever abandoning my first and main blog, this Crítica Retrô.

It all started with Lon Chaney, seven years ago. To pay a tribute to him, whose early career is comprised of mostly lost films, I made the banner above, with an image from the unfortunately lost, and much sought after, “London After Midnight”, from 1927. Maybe it will be the focus of a future article in Lost and Found Films? Keep close and we’ll see.

Tuesday, July 29, 2025

Magnólia: O Barco das Ilusões (1936) / Show Boat (1936)

 

Um dos meus atores / cantores favoritos é Paul Robeson. Eu sempre fiquei intrigada com a letra de uma música comumente associada à Robeson: Ol’ Man River. A letra é assim: “Estou cansado de viver mas com medo de morrer”. Já ouvi alguns idosos dizendo que estavam cansados de viver, mas ouvir um adulto saudável dizendo isso me chocou. Isso aconteceu porque eu não conhecia o contexto, algo que corrigi quando finalmente assisti ao filme “Magnólia: O Barco das Ilusões” (1936).

One of my favorite singers / actors is Paul Robeson. I’ve always been intrigued with the lyrics of one tune commonly associated with Robeson: Ol’ Man River. The lyrics are those: “I’m tired of living but scared of dying”. I’ve heard quite a few old people saying they were tired of living, but a healthy adult saying this shocked me. It was because I didn’t get the context, something I fixed by finally watching “Show Boat” (1936).

Você sabe que a sessão vai ser boa quando um verdadeiro desfile traz os créditos.

You know you’re in for a treat when a whole parade brings the credits.

A família Hawks administra um barco de espetáculos cuja aparição no horizonte é suficiente para deixar todas as pessoas - e os animais! - de uma cidade alvoroçados. Os Hawks só têm um desejo: que sua filha Magnólia (Irene Dunne) se torne uma pessoa respeitável, isso é, que ela nunca se apresente no barco de espetáculos. Mas Magnólia, ou Nola, sonha em cantar, dançar e se apresentar para o público.

The Hawks are the managers of a show boat whose sighting is enough to make all the people - and the animals! - of a town excited. They only have one wish: that their daughter Magnolia (Irene Dunne) becomes a respectable person, that is, that she never becomes a show boat attraction. But Magnolia, or Nola, dreams about singing, dancing and acting for the public.

Ela tem sua grande chance após um episódio triste: descobre-se que Steve (Donald Cook) e Julie (Helen Morgan), as estrelas do show, são um casal interracial, algo proibido no Mississipi. Num país em que “uma gota de sangue negro faz de você um negro”, ter pele clara não faz uma pessoa ser considerada branca. O episódio pode soar como um problema de um passado distante, mas não se engane: a última lei de segregação foi abolida apenas em 1965 e a genética ainda dita quem é branco e quem não é. Em “Magnólia: O Barco das Ilusões”, Julie e Steve têm que abandonar o espetáculo.

She gets her big chance after a shameful episode: it’s discovered that Steve (Donald Cook) and Julie (Helen Morgan), the stars of the show, are a mixed-race couple, a thing forbidden in Mississippi. In a country where “one drop of negro blood makes you a negro”, having fair skin doesn’t make a person be seen as white. The whole episode might sound as a problem from a distant past, but don’t be fooled: the last segregation law only fell in 1965 and genetics still dictate who is white and who isn’t. In “Show Boat”, Julie and Steve have to leave the show.

Como ela era próxima de Julie, Magnólia conhecia o papel principal e podia substituí-la, o que faz sua mãe se desesperar. Para o papel masculino principal, os Hawks contratam um viajante, Gaylord Ravenal (Allan Jones) do Tennessee. Ele e Magnólia têm uma química incrível, afinal, estão apaixonados! Mas este é um melodrama musical, então você pode esperar que muitos obstáculos aparecerão em seus caminhos.

Since she was close to Julie, Magnolia knew the lead part and could replace her, to her mother’s desperation. As the leading man, the Hawks hire a passerby, Gaylord Ravenal (Allan Jones) from Tennessee. He and Magnolia have a magnificent chemistry, after all, they’re in love! But this is a musical melodrama, so you can expect that many hardships will come their way.

A escolha do diretor pode parecer estranha: James Whale, o mesmo cara que dirigiu “Frankenstein” (1931), entre outros filmes de monstro. Na sequência de Ol’ Man River, há alguns ângulos de câmera inspirados e sombras que contam uma história. “Magnólia: O Barco das Ilusões” acabou sendo o filme favorito de Whale entre suas próprias obras.

The director choice may look odd: James Whale, the same guy who directed “Frankenstein” (1931), among other monster movies. In the Ol’ Man River sequence, there are some inspired camera angles and shadows telling the story. “Show Boat” ended up being the favorite among Whale’s own films.

A música é de Jerome Kern e as letras de Oscar Hammerstein II. As canções são mais o estilo de uma ópera, como aquelas nos filmes de Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Elas são perfeitas para o estilo de Allan Jones, que também foi estrela do filme dos Irmãos Marx “Uma Noite na Ópera” (1935).

The music is by Jerome Kern and the lyrics by Oscar Hammerstein II. The songs are more operatic, such as the ones in the Nelson Eddy and Jeanette MacDonald movies. They suit perfectly the style of Allan Jones, who also starred in the Marx Brothers vehicle “A Night at the Opera” (1935).

Falamos dos pontos positivos, agora vem a parte negativa: o racismo. Quando Irene Dunne começa a fazer uma dança chamada cakewalk, é simplesmente ofensivo. E aí fica pior: ela canta com blackface. Mais do que isso, Hattie McDaniel faz um papel de empregada (“Mamie”). O Joe de Paul Robeson é retratado como preguiçoso - mesmo com suas canções sendo as melhores do filme.

We talked about the good, now comes the bad and the ugly: racism. When Irene Dunne starts doing the cakewalk it’s simply offensive. And then it gets worse: she sings while doing blackface. Moreover, Hattie McDaniel is stuck in a Mamie kind of role. Paul Robeson’s Joe is portrayed as lazy - even though his songs are the best in the movie.

Agora que eu assisti a “Magnólia: O Barco das Ilusões”, eu sei que a letra de Ol’ Man River vai além: Paul Robeson canta expressando seu desejo de cruzar o Rio Jordão, o que significa que ele está em busca de liberdade e redenção. Morrer numa vida para começar de novo. No final das contas, o filme pode ser uma saga focada numa família do ramo do entretenimento, mas o que se perpetua e sobrevive através do tempo é o grande número de Paul Robeson.

Now that I have watched “Show Boat”, I know there is more to the Ol’ Man River lyrics: Paul Robeson sings about his wish to cross the Jordan River, meaning he’s looking for freedom and redemption. Dying in one life to start anew. In the end, the film might be a saga focusing on a white family in the entertainment business, but what remains and shall survive through the ages is Paul Robeson’s big number.

Saturday, July 19, 2025

Cavalgada (1933) / Cavalcade (1933)

 

ESTA CRÍTICA TEM SPOILERS

THIS ARTICLE HAS SPOILERS 

Um dos episódios mais curiosos da História do Oscar aconteceu em 1934, quando “Frank” foi chamado ao palco pelo apresentador Will Rogers para receber a estatueta de Melhor Diretor. Frank Capra caminhava alegremente até o palco, quando percebeu que o vencedor na verdade era Frank Lloyd. O filme pelo qual o hoje quase esquecido Lloyd ganhou o prêmio é nosso foco de hoje: o épico “Cavalgada”.

One of the most curious episodes in Oscar history happened in 1934, when “Frank” was called to the stage by presenter Will Rogers to receive the Best Director award. Frank Capra was happily walking to the stage, when he realized the real winner was Frank Lloyd. The film for which the now almost forgotten Lloyd won the award is our focus today: the epic “Cavalcade”.

É véspera de Ano Novo, em 1899. O ano de 1900 e um novo século projetam uma sombra sobre a casa dos Marryot. Robert (Clive Brook) e seu empregado Alfred Bridges (Herbert Mundin) devem ir para a África do Sul lutar na Segunda Guerra dos Bôeres assim que o dia raiar. De repente, as brincadeiras das crianças passam a envolver soldados e guerras, e a nova atividade de Jane Marryot (Diana Wynyard) é procurar o nome do marido na lista de vítimas.

It’s New Year’s Eve, 1899. The year 1900 and a new century cast a dark shadow upon the Marryot house. The master Robert (Clive Owen) and his employee Alfred Bridges (Herbert Mundin) must go to South Africa to fight in the Second Boer War the first thing in the morning. Suddenly, the kids’ play becomes all about soldiers and wars, and Jane Marryot’s (Diana Wynyard) new activity is checking if her husband’s name is in the casualty list.

Robert e Alfred voltam ilesos da guerra. A Rainha Vitória morre. Alfred passa a administrar um bar ao lado da esposa Ellen (Una O’Connor) - e também começa a beber em demasia. Os meninos dos Marryot, Edward e Joey, crescem, assim como a menina dos Bridges, Fanny. Em seu caminho eles encontram tragédias, guerra, pesares e têm alguns encontros fortuitos.

Robert and Alfred return safely from the war. Queen Victoria dies. Alfred starts running a pub alongside his wife Ellen (Una O’Connor) - and he also starts overdrinking. The Marryot boys, Edward and Joey, grow up, as does the Bridges girl, Fanny. In their way through life, they meet with tragedy, war, sorrows and a few chance encounters.

A sequência do Titanic foi sem dúvida na época mais chocante do que é agora. Meros 20 anos após o acontecimento, a tragédia ainda estava fresca na memória das pessoas - é a mesma coisa que hoje fazer filmes contendo o ataque às Torres Gêmeas. Edward (John Warburton) e sua esposa Edith (Margaret Lindsay) passam a lua-de-mel em um cruzeiro, e ela diz palavras que soam como adivinhos, como que ela não se importaria se eles morressem naquela noite, e que ela não tinha medo do que o futuro lhes reservava. É o fato de nós sabermos o que acontece em seguida que nos causa angústia - a mesma sensação causada quando Robert diz que uma guerra mundial em 1914 duraria apenas três meses. 

The Titanic sequence was without a doubt at the time more shocking than it is now. A mere 20 years after it happened, the tragedy was still fresh in people’s minds - it’s the same as movies with the World Trade Center attacks for us. Edward (John Warburton) and his new wife Edith (Margaret Lindsay) are spending their honeymoon on a cruise, and she says foretelling words, such as that she wouldn’t mind if they died that night, and that she wasn’t afraid of the future. It’s us knowing what happens next that causes anguish - the same thing when Robert says that a world war in 1914 would last only for three months.


As mulheres da família Bridges, Ellen e Fanny, são dignas de nota. Ellen é interpretada por Una O’Connor, amada atriz coadjuvante. O papel foi escrito especialmente para ela, que interpretou a personagem nos palcos e nas telas. Ela é mais lembrada por seus papéis como mulheres nervosas e histéricas em filmes de monstros, como em “A Noiva de Frankenstein” (1935), mesmo tendo feito 91 filmes.

The Bridges women, Ellen and Fanny, are worth highlighting. Ellen is played by Una O’Connor, a beloved character actress. The role was written specifically for her, who played the character both on stage and on screen. She is best remembered for her roles of nervous screaming women in monster movies, such as “The Bride of Frankenstein” (1935), even though she appeared in 91 films.

Quando criança, Fanny é interpretada por Bonita Granville, uma garota com um nome auspicioso. Nascida em 1923 e tendo começado sua carreira nos palcos ao lado dos pais, artistas do vaudeville, ela fez 81 filmes entre 1932 e 1981. Foi indicada ao Oscar com apenas 14 anos. Tendo se casado com um milionário em 1947, ela passou a atuar como produtora e filantropa. 

As a kid, Fanny is played by Bonita Granville, a girl with an auspicious name - Bonita means “pretty” in Portuguese. Born in 1923 and starting her stage career alongside her vaudevillian parents when she was three, she appeared in 81 movies between 1932 and 1981. She was nominated for an Oscar at only 14. Married to a millionaire in 1947, she became a producer and philanthropist.

No começo de “Cavalgada”, não pude deixar de pensar nas semelhanças com a série “A Idade Dourada”, pois ambas mostram os problemas privados de pessoas da alta sociedade e de seus empregados como igualmente importantes. Tanto o filme quanto a série já foram comparados com outra série, mais famosa: “Downton Abbey”, que eu confesso nunca ter visto.

In the beginning of “Cavalcade”, I couldn’t stop thinking about its similarities with the series “The Gilded Age”, as both show the private affairs of rich people and their servants as equally interesting. Both the movie and the series have been compared to another, more hyped and famous series: “Downton Abbey”, which I confess I never watched.

Outro filme relacionado é o obscuro porém muito bom “E o Mundo Marcha”, de 1934. Feito pelo grande diretor John Ford, aqui acompanhamos as sagas de famílias de diferentes países, dos dias das plantações de algodão até os perigos que o mundo enfrentava no começo dos anos 1930.

Another connection I made is with the obscure but very good “The World Moves On”, from 1934. Made by the great director John Ford, here we accompany the sagas of families from different countries, from the days of cotton plantations until the dangers the world was facing in the early 1930s. 

Por que um filme sobre o começo do século XX para um bando de ingleses seria tão bem-sucedido nos EUA, ganhando até mesmo o Oscar de Melhor Filme? É porque este filme é uma rara oportunidade de ver na frente dos nossos olhos o declínio de um império. Ver o seu passado é, como no discurso de Jane ao final, desejar que um dia o país reencontre sua dignidade, grandeza e paz.

Why would a movie about the early 1900s for a bunch of English people be so successful in the USA, winning even the Best Picture Oscar? It’s because this movie is a rare opportunity of seeing in front of your eyes the decline of an empire. Seeing its past is, like in Jane’s speech at the very ending, wishing that one day the country finds its dignity, greatness and peace again. 

“Cavalgada” é também um triunfo da técnica, meros seis anos após a chegada do som sincronizado nos cinemas. Como preparação para as filmagens, o departamento de newsreels dos estúdios Fox gravou a peça montada em Londres e escrita pelo grande Noël Coward. Os cenários brilhantemente decorados deram ao filme, além dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor, o Oscar de Melhor Direção de Arte.

“Cavalcade” is also a triumph of technique, a mere six years after synchronized sound arrived in movies. As a preparation for shooting, the Fox studios newsreels recorded the live play staged in London, written by the great Noël Coward. The impressively decorated sets gave the film, besides the Best Picture and Director awards, the Oscar for Best Art Direction.

Frank Lloyd

O responsável pelas cenas de guerra foi o diretor de arte William Cameron Menzies. Sua sequência da Primeira Guerra Mundial é uma elaborada montagem de bombas explodindo e soldados marchando e caindo. A sequência é dinâmica, emocionante e uma ótima maneira de apresentar a passagem do tempo.

The person responsible for the war scenes was art director William Cameron Menzies. His World War I sequence is an elaborate montage of bombs exploding and soldiers marching and falling. The sequence is dynamic, thrilling and a great way to present the passage of time.

No Instagram outro dia, quando o assunto eram filmes difíceis de assistir até o final, um usuário comentou que “todos os ganhadores de Melhor Filme antes de 1950” eram assim. Eu discordo totalmente. Eles são uma janela para o passado, para os gostos das pessoas do passado e, neste caso, o passado comentando sobre um passado ainda mais remoto. “Cavalgada” não é o pior ganhador do Oscar de Melhor Filme, nem o mais chato nem o mais obscuro. Pode ser um filme para completistas, mas dar uma chance a ele é uma maneira melhor de aprender História do que enfiar a cara nos livros.

On Instagram the other day, when the topic was films difficult to watch through, an user commented that “all Best Picture winners before 1950” were like this. I completely disagree. They are a window to the past, to the tastes of people from the past and, in this case, the past talking about a further past. “Cavalcade” isn’t the worst Best Picture winner, the most boring or the most obscure. It may be a film for completists, but checking it out is a better way to learn History than staring at textbooks.

This is my contribution to the Titanic in Pop Culture blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room.

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